O CASTELO DE SANTA MARIA DA FEIRA é um dos mais notáveis monumentos portugueses quanto à forma como espelha a diversidade de recursos defensivos utilizados entre os séc. XI e XVI e que o torna peça única da arquitectura militar portuguesa.
Com o declínio da importância militar do Castelo foi este adaptado a paço senhorial. No séc. XV, porém, todo o monumento voltou a sofrer grande remodelação no campo defensivo motivada pelo aparecimento de novo tipo de armamento (utilização da pólvora).
Após a morte do conde D. Henrique, senhor do Condado Portucalense, a viúva, D. Teresa, deixou-se envolver com um fidalgo galego, Fernão Peres de Trava, ao serviço do Arcebispo de Compostela D. Diogo Galmirez, que tinha a intenção de submeter ao controle da Galiza o Condado Portucalense.
Como guarda avançada, tinham vindo para o Condado, especialmente para o Porto – onde Fernão de Trava governava já – grandes migrações galegas.
Com o tempo, a pequena burguesia portucalense começou a ser substituída por gentes da Galiza. Mais tarde, o ataque económico e administrativo estendeu-se aos grandes senhores de terras e de poder, quer a norte, quer a sul do Douro. Assim sucedeu às famílias Moniz, de Riba Douro (Ermígio, Mendo e Egas), Sousas (da Maia), Nuno Soares (de Grijó) e à família de Pero Gonçalves (de Marnel). Estas famílias, que tinham vastas propriedades quer no Alto Minho, Lamego, quer na Terra de Santa Maria, foram sendo confrontadas com a ameaça de perderem tudo- cargos, prestígio, e bens – por intervenção de uma campanha orquestrada do exterior, primeiramente subtil e, depois frontal.
