Imagino que muitos de vós que me visitam, já devem estar cansados de ler sobre a minha exposição de fotografia, cujo tema é a Índia. Assim sendo, prometo que não vos falo mais da exposição, mas continuo com o tema - Índia.
Desta vez, o filme que se fala em todos os lugares:
"Quem quer ser Bilionário?"
É importante que se perceba que o que nos desgosta em "Quem quer ser Bilionário?" não é o bairro de lata, nem é a miséria, mas antes a pobreza do olhar com que Danny Boyle os filma. Pergunta-se por aí:Que vê Danny Boyle na Índia que não visse noutro lado qualquer? Até a televisão é a mesma, é a televisão dos "formatos" e o "Quem quer Ser Milionário?"
Se há alguma "proeza" em "Quem quer ser Bilionário?", ela consiste apenas nisto: num espantoso trabalho de "torção" para fazer caber a Índia dentro da sua estreita visão do mundo. Boyle não foi à Índia, trouxe a Índia para dentro dos seus estereótipos sociais (ricos e pobres) e figurativos.
No contexto eufórico que aclama "Quem quer ser Bilionário?" como a oitava maravilha do mundo valerá a pena lembrar que outros cineastas ocidentais viveram as suas "viagens à Índia" com o tipo de disponibilidade que falta a Boyle, e com a modéstia, a inteligência e a sensibilidade para construírem os seus filmes no balanço entre as certezas que traziam da Europa e aquilo que a Índia lhes revelou. Alguém dizia "nunca me vou esquecer do cheiro deste país" e falava do perfume a especiarias. Danny Boyle não conseguiu sentir mais do que o cheiro a merda. Cada um tem o nariz que tem.
Jamal Malik, um órfão de 18 anos dos bairros de lata de Bombaim, está a apenas uma pergunta de ganhar 20 milhões de rupias (cerca de 300 mil euros) na versão indiana do concurso Quem Quer Ser Milionário?.Mas a organização do jogo denuncia Malik à polícia por suspeita de fraude. Como conseguiu ele chegar à pergunta dos vinte milhões? Fez batota? É um génio? Teve sorte? Será o destino? E o que está a fazer no concurso se o dinheiro não o interessa? Jamal conta então à polícia a história da sua vida nas ruas e todas as suas aventuras para reencontrar a rapariga que sempre amou. Mas como é que ele sabe as respostas? E o que está a fazer no concurso?
Um premiado filme de Danny Boyle co-realizado por Loveleen Tandan.
De tantos pontos altos do filme, há de se destacar três.
De tantos pontos altos do filme, há de se destacar três.
O primeiro é a fotografia, um óptimo trabalho realizado por Anthony Dod Mantle, premiadíssimo em sua categoria.
O segundo ponto é a belíssima trilha sonora composta pelo também premiado A. R. Rahman, que fez todo o ambiente indiano ficar ainda mais real, sendo o destaque a dançante canção “Jai Ho”, que tem direito a um óptimo número musical no final do filme. O terceito ponto alto do filme é o Dev Patel, que protagoniza brilhantemente o filme, o que é uma surpresa, ainda que seu trabalho na série Skins não deixe a desejar.
GOSTEI MUITO.
Aqui deixo uma sugestão para o fim de semana prolongado que está à porta. Divirtam-se.

